Visitar pequenas cidades do Brasil para construir conhecimento junto com locais. Levar tecnologias para experimentar e transformar coisas. Juntar um grupo de pessoas especialistas em códigos tecnológicos para trabalhar em projetos virtuais que lidam com informações da vida cotidiana dessas cidades.
Essas são algumas das coisas que podem ser feitas com o ônibus hacker, um projeto da comunidade Transparência Hacker. O ônibus, que pretende levar hackers para os quatro cantos do país e da América Latina, é um pedido por autonomia. Num primeiro momento pode até parecer brincadeira, mas o ônibus equipado com várias ferramentas tecnológicas vai compartilhar um pouco da lógica e da ética hacker por aí.
Além de possibilitar a participação à distância de outros membros da comunidade através de streaming das atividades nas cidades, queremos propor um espaço onde os hackers/desenvolvedores/curiosos possam trabalhar na estrada, otimizando o tempo ocioso e produzindo coisas!
Um pouco do que a gente quer fazer…
Dentre os locais/eventos que queremos estar presentes está a CONSOCIAL, a primeira Conferência Nacional de Transparência e Controle Social. Esse será um espaço importantíssimo para discutir e disputar a idéia de que uma nova forma de compreender transparência é possível, que trate de dar clareza aos processos políticos, ampliando a ótica que antes era limitada à controle de gastos e luta contra corrupção.
Queremos estar presentes em quantas dessas etapas for possível, com os membros da comunidade, levando noções de Dados Abertos, Hackerismo, Cultura Digital, Software Livre e outras idéias importantes para entender o novo contexto da informação.
Além da CONSOCIAL, outro projeto ligado ao Ônibus Hacker são as invasões hackers. O propósito das invasões é visitar pequenos municípios (com menos de 5 mil habitantes), levando software livre e instalando sistemas operacionais gratuitos nos computadores da cidade, fazendo hackdays, organizando wokshops de desenvolvimento e outras atividades. Tudo isso concentrado em um final de semana apenas, na praça principal de cada município visitado.
Um dos workshops propostos se baseia na lei orgânica dos municípios, que é o documento que rege as leis da cidade, assim como faz a Constituição Federal em escala nacional. O que vamos fazer é: usar um dispositivo chamado Lei de Iniciativa Popular, que permite que os cidadãos apresentem projetos de lei para os deputados de sua cidade, e leve adiante suas demanas, transformando-as em leis, através da coleta de assinaturas do equivalente a 5% da população local.
Já pensou o quão legal isso seria? De fato ensinar as pessoas a propor leis para sua cidade e tirar a decisão das mãos apenas dos deputados? Isso é autonomia! Para além dos dois projetos listados acima, temos uma série de eventos que queremos participar com nosso ônibus. São eles:
- Transparência Hackday Uruguai (Agosto de 2011)
- Consocial, Etapas Estaduais (Novembro de 2011 à Abril de 2012)
- Fórum de Cultura Digital (Dezembro de 2011)
- Campus Party 2012: São Paulo (Janeiro de 2012)
- Consocial, Etapa Nacional: Brasília (Maio de 2012)
Mas porque um ônibus?!
Em maio fomos para o CONSEGI (Congresso de Software Livre e Governo Eletrônico) em Brasília. A viagem foi uma carona da POLI-USP, e, de fato, uma experiência sensacional.
Nesse evento, criamos um aplicativo que checa informações de doação de campanha em matérias jornalísticas, mapeamos o processo legislativo, conseguimos colocar no mapa os crimes que acontecem no Rio Grande do Sul, e chamar atenção para os gastos em diárias dos funcionários do Ministério da Cultura.
Conseguimos ainda subir um portal pra receber relatos de abuso de poder, um megafone pra qualquer pessoa contar como sofreu abuso de alguém que se acha poderoso ou acima da lei.